quarta-feira, 10 de abril de 2013

O futebol ainda pode (continuar a) ser o que era

O futebol ainda pode (continuar a) ser o que era 



No meu último artigo já fiz uma breve referência à minha oposição a este novo modelo implementado no “futebol moderno”. 
Sem querer generalizar mas com vários vários exemplos em mente, andam por aí muitos dirigentes loucos apenas e só pelo dinheiro que os clubes de futebol lhes possibilitam ganhar, treinadores sem competências/conhecimento e carisma, jogadores que apenas pensam no seu próprio umbigo e sem grande qualidade futebolística. 
E depois há outro pormenor muito importante, mais no que compete aos jogadores, que há uns valentes anos ninguém sequer imaginaria que passaria a ser prática corrente na relação com os adeptos: as redes sociais. É comum partilharem tudo e mais alguma coisa, até mesmo imagens que em meu entender deveriam ser proibidas pelas direções (fotos de balneário, etc), serem endeusados nem que seja porque espirraram e o decidiram partilhar via web.

Hoje em dia o habitual é termos jogos de futebol à hora de jantar, face à conjectura atual (e não só) aumentaram imenso os “adeptos de sofá”, “os adeptos via facebook” e afins. Mas atenção que eu não estou a fazer uma crítica generalizada, até porque tenho consciência que para muitos se tornou insustentável ir ao futebol, mas sim a fazer uma apreciação e a constatar que o “futebol moderno” evoluiu nestes termos. Se é este o futebol que adoro? Não posso dizer que o detesto, porque tive de em parte me adaptar, mas não é o futebol que mais aprecio, que mais amo.

O futebol que mais aprecio (e aqui vou omitir o meu clube porque para além de não ser importante para justificar a minha posição, não quero criar conflitos entre os leitores) é o futebol do “sangue, suor e lágrimas”. É o futebol paixão! Não é o futebol dos futebolistas mimados, dos futebolistas com muito talento nos dedos das mãos para as internets e afins e pouco talento nos dedos dos pés, dos treinadores arrogantes e incompetentes, mas sim o futebol orientado pelos treinadores que sentem o clube, pelos jogadores que, independentemente de serem do país A ou B, ou terem o clube C ou D como primeira “cor”, são exímios profissionais e dão o que tem e o que não tem em prol do clube que representam. E mais importante do que isto tudo, respeitam sempre os adeptos!
Ora isso mesmo, os adeptos que estão sempre lá para os apoiar e que sustentam as vidas de luxo de um jogador de futebol de topo…E que adeptos são estes do exemplo a seguir…


Enquanto que muitas pessoas "acordaram" para isto apenas ontem, já há muito que eu e um grupo extensivo de amigos fazemos vénias a estes senhores e desejamos ver este fabuloso espetáculo com os nossos olhos. A prova cabal que o futebol ainda pode ser um palco de emoções, de amor à modalidade e aos clubes, de respeito por parte dos jogadores e de todos os agentes do futebol que os rodeiam, está aqui.



E ainda mais importante, em meu entender, é que mesmo envolvidos neste “futebol moderno, futebol negócio”, conseguem manter minimamente intactos estes valores que são ao mesmo tempo tão simples quanto cada vez mais raros: A simbiose entre os adeptos e os jogadores! E estou em crer, porque já o vi anteriormente, que mesmo que não tivessem conseguido a reviravolta épica a que muitos assistiram na noite de ontem, teriam ido na mesma saudar os seus fantásticos adeptos presentes naquela imponente “parede amarela”!

Enquanto isso, noutros palcos por aí fora (alguns aqui bem perto), há quem ganhe e não o faça, para já nem falar quando perdem…E o que acontece nestes casos mais negativos? É simples, o futebol moderno apodera-se de mais alguns adeptos, que passam a preferir o conforto do seu lar por não se sentirem recompensados/reconhecidos por todo o seu apoio e dedicação.
Por muito que o tentem desmentir, o futebol, quer seja “moderno” ou à bela “maneira antiga”, não passa sem os adeptos. E os adeptos, pelo menos os “verdadeiros” como eu, preferem este futebol de emoções e respeito ao futebol dos milhões, egoísmo e excentricidade. E muito mais ficou por dizer, como falar de preços e afins, mas por agora fico-me por aqui.

Obrigado por mais uma grande lufada de ar fresco e por me relembrarem o porquê de eu gostar tanto de futebol, Dortmund.

PS1: E obrigado também por, de forma heróica, terem eliminado da competição mais importante de clubes do mundo um dos emblemas que é fruto do futebol moderno, dos “petro dólares”.


PS2: Making off de uma coreografia



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