quinta-feira, 16 de maio de 2013

O estranho caso dos Chicago Bulls

O estranho caso dos Chicago Bulls


Todos os anos vários especialistas, desde editores de revistas conceituadas até hall of fammers, gostam de fazer uma previsão do que se irá passar na liga sobretudo quais serão as equipas que irão ao playoff e quais as suas aspirações. Quando mencionaram os Chicago Bulls, detentores do melhor registo nas duas últimas épocas regulares, simplesmente não conseguiram encontra um lugar no playoff onde eles encaixassem. Motivo? A lesão da sua super estrela Derrick Rose.

É verdade que o Derrick Rose é o líder da equipa e era um jogador top 3 na liga quando se lesionou, era o jogador franchising que levava a equipa às costas, mas seria assim tão evidente a falta de talento á volta de Derrick Rose? As saídas de 2 bons defensores de perímetro como o Keith Bogans e Ronnie Brewer assim como o poste talentoso Omer Asik seriam assim tão notadas? Mesmo sabendo que Chicago foi contratar Nate Robinson, Nazr Mohamed, Marco Belinelli ou Kirk Hinrch? Aparentemente sim, ninguém conseguia imaginar Chicago nos playoffs, e a “Windy city” foi apanhada pelo um verdadeiro tornado quando o irmão do Derrick Rose disse publicamente que apesar de o irmão estar lesionado não via os Chicago Bulls tomarem decisões de reforçar o plantel em torno do seu irmão para num futuro próximo conseguirem ser campeões.

No entanto os jogos foram passando e Chicago ia jogando bem, sempre nos .500 de percentagem de vitórias, inclusive a quando do “circus trip” (conjunto 12 jogos feitos em 20 dias todos fora na Conferencia Oeste) Chicago conseguiu algumas vitórias bastante importantes numa conferencia teoricamente mais equilibrada e forte, mas apesar de estarem a aguentar bem e a terem alguns resultados surpreendentes os críticos continuaram a anunciar o fim precoce da época.



A época de Chicago estava a revelar que outros jogadores que jogaram na sombra de Derrick Rose conseguiam liderar a equipa, o Luol Deng afirmou-se como um bom jogador conseguindo a sua segunda nomeação para o All Star sendo visto como um dos melhores jogadores all-around que existe na liga, o Joakim Noah tornou-se um jogador mais regular e conseguiu por isso a sua primeira nomeação para um all Star, o kirk Hinrich que voltara a Chicago duas épocas depois de ter saído (na tentativa de Chicago arranjar salary Cap para contratar Lebron James e Dwayne Wade) tornou-se de novo o capitão da equipa sendo o primeiro a fazer o trabalho sujo defensivo dando muitas vezes o exemplo á equipa, Nate Robinson tornou-se o jogador que trazia do banco alma e garra dando sempre o seu melhor enquanto estava em campo e o Jimmy Butler que era um miúdo escondido no banco estava revelar-se como um bom defensor e um membro útil à equipa. 

Após o All Star game Chicago contrariou tudo e todos e embarcou numa série de vitórias colocando-se em definitivo nos lugares de acesso aos playoff lutando quase até ao fim para ficar na metade superior, mas no final as forças faltaram e não conseguiram lutar pelo 4º lugar na conferencia tendo perdido alguns jogos contra concorrentes directos. 

Mas o 5º lugar foi um feito notável, e os críticos estavam agora rendidos à determinação e garra que Chicago punha em cada jogo, mas apesar disso diziam que Chicago não teria hipótese de passar a primeira ronda, afinal Chicago ia defrontar uma equipa de topo na sua conferência e não tinha o fator casa. E a situação ficou pior quando a meio dessa série a equipa de Chicago foi afectada por uma onda de lesões. Deng, Hinrich estavam impossibilitados de jogar, Hamilton e Noah jogariam lesionados. Chicago pareceu assim perder as forças no jogo 6, perdendo em casa deixando empatar a série e sendo o ultimo jogo em casa de Brooklyn os críticos voltaram a fazer o funeral antecipado, até porque muitos jogadores que raramente eram opção estavam a jogar muitos minutos por força das lesões e não havendo mais substitutos o desgaste foi-se acumulando, mas o Noah prometeu aos adeptos que iriam ganhar o jogo decisivo a Brooklyn e a verdade é que mesmo desfalcados conseguiram-no.

A vitória de Chicago apanhou a liga de surpresa, mas agora Chicago ia apanhar os Miami Heat, a equipa campeã em titulo e os super candidatos para ganhar este ano. Tendo em conta todas as contrariedades toda a gente pensou que Chicago não ganharia um jogo a Miami, que ia ser fácil de mais, mas Chicago após ganhar o jogo 7 a Brooklyn num sábado foi ganhar o jogo 1 em pleno AmericanAirlines Arena na segunda-feira seguinte. A liga estava outra vez em choque. Mas Miami percebeu que tinha de lutar e de se esforçar para bater esta equipa guerreira que jogava super desfalcada mas que se entregava de corpo e alma. O resultado foi uma série a 5 jogos cheia de picardias e expulsões. Chicago não tinha medo de mostrar os dentes à super equipa de Miami, não tinha medo de jogar duro e muitas vezes ouvíamos os comentadores americanos contentes pois Chicago trouxe de volta aos playoffs o jogo duro e físico dos anos 80 e 90, mas as regras hoje em dia são outras e aquilo que antigamente não era falta hoje pode ser considerada uma falta flagrante 1 , e aquilo que antigamente era uma simples falta hoje é uma falta flagrante 2 (ou seja expulsão).

Se por um lado Chicago sabia que só a jogar assim conseguir competir com Miami por outro lado o acumular de faltas e expulsões fazia com que a equipa de Chicago, por si só já muito desfalcada, tivesse de jogar com terceiras figuras, com jogadores que nem sabiam como foram ali parar e estavam acostumados a ver os playoffs pela TV, e o resultado disso foi que Chicago perdeu dois desses 5 jogos por margens consideráveis, mas sempre que isso aconteceu a equipa reagiu e veio de cabeça erguida para o jogo seguinte prontos a lutar. Podiam perder, mas desistir não estava no vocabulário deles e lutaram até ao fim, deram o seu melhor e caíram de pé. A liga estava finalmente rendida a estes guerreiros, que tendo todas as contrariedades nunca desistiram e contra tudo e contra todos foram provando que na NBA os nomes não ganham jogos.


Após o brilhante ano dos Chicago Bulls muita gente está a questionar-se se as lesões não tivessem afectado a equipa qual seria o desfecho, e se o Derrick Rose tivesse apto para jogar como seria?
Para mim as perguntas legítimas que se colocam é se será mesmo necessário que 2 ou 3 super estrelas tenham de se juntar numa equipa para lutarem por títulos como têm feito recentemente? Ou a ideologia do passado em que o que interessa é ter uma boa equipa em torno de uma super estrela e saber jogar em equipa o suficiente para se ganhar na NBA? Não se estará a esquecer muitos dos role players? 

Este artigo foi redigido por Rúben Vanraban, colaborador do blog 

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