segunda-feira, 20 de maio de 2013

Nadal imperador de Roma

Nadal imperador de Roma



Roma a capital do maior império de todos os tempos, parece ter reeleito o seu imperador: Nadal. Pela sétima vez consecutiva o espanhol conquistou o open de Itália, chegando ao seu 24º Masters da sua carreira sendo o recordista neste tipo de eventos. Analisando o torneio, para mim Nadal não era o principal favorito mas sim Novak Djokovic, mas o sérvio tem revelado uma certa inconsistência na terra batida este ano, onde tirando monte Carlo, foi bafejado pela sorte nas primeiras rondas, não tem conseguido impôr o seu jogo no pó de tijolo. Mas Nadal como sempre, mostrou a sua consistência habitual e uma enorme inteligência quando se viu em dificuldades, principalmente contra Ernest Gulbis, um jogador que possui todo o tipo de golpes e uma força mental capaz de o fazer jogar bem mesmo nos pontos importantes.

Nadal jogou menos bem contra Gulbis, jogou melhorzinho contra Ferrer, que possui consistência mas não velocidade de bola para causar danos e esteve muito bem contra Berdych, que vinha moralizado depois da vitória sobre Djokovic, mas Nadal, simplesmente não deu chances ao Checo. Do lado oposto do quadro estava Federer, que começou muito bem contra Starace, jogador típico de terra batida que dá ritmo ao jogo mas não incomoda e o suíço cilindrou o adversário numa hora com um 6-1 6-2. Na terceira ronda defronta, Gil Simon que foi derrotado com o mesmo resultado e pela mesma facilidade. Depois enfrentou um jogador que é uma promessa, que possui um serviço poderoso e um bom toque de bola, estamos a falar de Jerzy Janowicz. Federer ganhou em dois sets muitos justos e nas meias-finais enfrentou a surpresa do torneio Benoit Paire um jogador que possui um ténis extremamente agressivo e que vai continuar a subir no ranking. O suíço ganhou a Paire mas com algumas dificuldades. 


Chegámos à final, a mais desejada por todos os adeptos devido aos cavalheiros que entram no court, mas cada vez mais, é uma final desnivelada. O Roger Federer possui todos os golpes e executa-os de maneira magnífica a par de Nadal. Federer tem um grande serviço, um grande volley, um slice venenoso, um excelente jogo de pés e uma antecipação que parece que joga de olhos fechados. Já o Espanhol, possui um bom backhand, um excelente slice, um serviço mediano, um bom volley e um jogo de pés excelente.

Em armas estamos equilibrados ou até me arrisco a dizer que o Suiço tem mais. No entanto existe um grande problema que é o seguinte: a melhor pancada do Nadal vai parar à pior do Federer.  O Forehand cruzado do Nadal é uma bola que leva em média 3200 rotações por minuto. A bola cai depressa e sobe muito depois de bater no chão e o suíço com a sua esquerda a uma mão fica com muitas dificuldades e vai recuando muito para devolver uma bola curta onde Nadal normalmente faz o ponto. 

O Roger Federer em Roma tentou uma táctica diferente da usada em terra batida, onde foi extremamente agressivo fazendo muitas vezes serviço volley mas isso só resultou no primeiro jogo do primeiro set a partir daí o Touro e o seu jogo profundo começaram a tirar a confiança a Federer que perdeu nove games seguidos. 


A diferença de jogadores é assim tão grande? Infelizmente já é bastante grande. Djokovic está ao nível de Nadal, depois vem Murray, Berdych, Ferrer e Federer e se calhar a seguir vêm Del Potro. O Nadal não está a jogar verdadeiramente bem na minha opinião mas como o nível tenístico dele é tão alto nesta fase da carreira. que consegue ganhar mesmo não estando a jogar muito bem, já a Federer falta velocidade e frescura mental, o desgaste nota-se no suíço e isto não augura nada de bom para o resto da época.
Curiosidade: Nadal é o jogador com mais pontos ganhos em 2013 mesmo só jogando a partir de Fevereiro.

Este artigo foi redigido por David Bento, especialista de ténis e colaborador do blog

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